VOCÊ SABIA QUE BEM PERTO DE VOCÊ EXISTE UMA UNIDADE DA FUNDAÇÃO CASA?

*Texto escrito pela Rede 2 de Outubro, em novembro de 2015, para ser panfletado nos arredores da Fundação CASA de Itaquá.
A Fundação CASA de Itaquá é uma cadeia que encarcera adolescentes das cidades de Itaquaquecetuba, Arujá, Guarulhos, Suzano e outras, com capacidade para 63 meninos presos.
A Fundação Casa, antiga FEBEM, é uma instituição que promove as mais diversas violações de direitos dos/as adolescentes. Diariamente ocorrem espancamentos, torturas, humilhações, estupros, entre outras violências mais. Pouca informação é veiculada na mídia, e o que sai, muitas vezes, é de forma distorcida, com o intuito de esconder as violências que os/as adolescentes sofrem lá dentro ou mesmo nos convencer de que ‘lá dentro não tem santinho, então precisam pagar pelo que fizeram contra o cidadão de bem, o pai de família’. Você já não ouviu este discurso antes? Pois é, ele sustenta a ideia de que o grande inimigo da sociedade é o jovem negro, pobre, que mora na periferia, a ideia de que vivemos num clima se insegurança por causa destes ‘monstros’, e que estamos num país de impunidade. Nada poderia ser mais falso do que estas afirmações.
Recolhemos relatos de vários meninos que passaram por situações de violência no centro de internação de Itaquá:
Quando o adolescente chega em qualquer unidade da Fundação Casa recebe como se fosse um ‘boas-vindas’, é aonde começa a opressão por parte dos funcionários”
“Aconteceu um fato onde dois menores foram algemados e agredidos, um deles teve a cabeça cortada e o outro ficou com o globo do olho cheio de sangue”
“Teve uma intervenção onde os funcionários chegaram agredindo todo mundo com cassetete e barras de ferro, obrigando a gente a sentar no chão só de cueca, enfileirado e colado nos outros menores.”
A violência que os adolescentes sofrem diariamente na Fundação CASA só acabará com o fim do encarceramento. A função da prisão nunca foi a de reeducar ou ressocializar, mas de ‘limpar’ a sociedade dos considerados indesejáveis, que nada mais são do que aqueles que, silenciados através das gerações, se rebelam ao tentar sobreviver em meio a uma sociedade sem emprego pra todos, sem educação de qualidade, sem a presença do poder público no acesso aos direitos básicos –este só se mostra de fato na hora do enquadro ou quando chega com a algema e o cassetete em mãos, reivindicando a justiça pro rico, que em geral custa a liberdade e a vida do pobre.
Essa molecada tem saído ainda mais desesperançosa dessas prisões, e não é incomum ouvir de suas bocas que estão ‘cheios de ódio’.
O que achamos, sinceramente, que estes adolescentes devolverão à nossa sociedade que clama por essa justiça sanguinolenta e com sede de vingança, sempre alimentada por datenas e marcelos rezendes da vida?
Acreditamos que essa situação só vai mudar se a gente se mobilizar pra denunciar o que vem acontecendo! Produzimos esse material pra sensibilizar as pessoas que moram perto do centro Itaquá para pensarmos formas de nos articularmos. Somos a Rede 2 de Outubro, um coletivo anticapitalista e abolicionista penal da cidade de São Paulo, que nasce em torno do não esquecimento do Massacre do Carandiru e denunciando a continuidade dos massacres diários nas unidades prisionais de adultos e adolescentes, por meio de debates, conversas e atividades em unidades prisionais, escolas e nas quebradas da Grande São Paulo. Lutamos pelo fim das prisões por acreditarmos que nossa vida não é caso de polícia; que nossos problemas só pioram quando a solução pra eles passam necessariamente pelas instituições que massacram diária e continuamente as pessoas pobres, negras e que moram nas periferias. Não queremos melhorar as condições das pessoas presas; não desejamos humanizar o cárcere: desejamos, para muito além disso, uma vida sem grades, sem polícia, sem a lógica da punição, sem o afastamento e a morte simbólica (e muitas vezes – questão de tempo – literal) daquelas pessoas que, mesmo estando encarceradas, insistem em ser tão parecidas conosco – porque na verdade são.
Nos ajude a pensar e construir outra sociedade enfrentando essa lógica perversa, que, assim como foi e tem sido levantada, também pode ser derrubada.
REDE 2 DE OUTUBRO – CONTRA OS MASSACRES

 

PELO FIM DA FUNDAÇÃO CASA!
Novembro/2015

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*